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Virada Cultural é marcada por protestos, público menor e atrações dispersas



Como em quase todas as ocasiões na vida do brasileiro atualmente, a política deu a tônica da Virada Cultural 2016, maratona cultural que varou o fim de semana, organizada pela Prefeitura de São Paulo. Em especial, foram os protestos contra o governo interino de Michel Temer que marcaram a maior parte dos shows do evento, mostrando que o passo atrás de recriar o Ministério da Cultura não foi suficiente para acalmar os ânimos dos artistas.
Quem circulava pelo centro da cidade se deparava a todo momento com pessoas segurando panfletos com as frases "Fora Temer" ou "Temer Jamais", distribuídos por grupos como Ocupe a Democracia e Arrua --cerca de 7 mil cartazes teriam sido distribuídos por estes últimos. Durante os shows, as mesmas palavras de ordens eram entoadas pelo público no intervalo das músicas e também surgiam faixas maiores, na maior parte das vezes contra o governo interino, mas também em apoio aos estudantes secundaristas de São Paulo, que vêm protestando contra mudanças no ensino estadual e a chamada "máfia da merenda".
Mas os protestos não ficaram só entre o público: muitos artistas também aproveitaram o microfone para mandar seu recado. No sábado, Alcione criticou as mudanças no Ministério da Cultura, lembrou o desastre ambiental causado pela Samarco em Mariana (MG) e expressou sua admiração pela presidente afastada Dilma Rousseff. A banda que acompanhou Elza Soares na avenida São Joãoestendeu uma faixa recebida do público e a cantora pediu "mais revolta", sem citar nominalmente o presidente interino.
O domingo amanheceu mais tranquilo, mas a política voltou à tona no início da tarde, no palco dedicado às mulheres, na avenida São João, onde a cantora Tereza Cristina pediu mais representatividade na política e repetiu o coro de "Golpe não". Ali perto, Leci Brandão também fez um show bastante politizado, falando sobre racismo, pedindo apoio aos estudantes paulistas e puxando um grito de "Fora Temer". O mesmo tipo de discurso ainda se repetiu na apresentação dos Detonautas e da Nação Zumbi, que fechou a Virada no palco Júlio Prestes. "Não nos calemos, porque quem cala desaparece. Fora, Temer!", bradou o vocalista Jorge Du Peixe.

TEXTO: UOL

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