Notícias de Última Hora

#vaivendo Tema de mesa da Flip, tráfico de drogas também preocupa Paraty

Crime corresponde a 80% das prisões na cidade, diz promotor.
Caco Barcellos e jornalista inglês Misha Glenny participam da conversa.


Drogas e dinheiro apreendidos com os suspeitos no bairro Corisco (Foto: Polícia Militar/Divulgação)Drogas e dinheiro apreendidos em Paraty (Foto: Polícia Militar/Divulgação)
Tema de uma das mesas da 14ª Festa Literária de Paraty, o tráfico de drogas é um dos principais problemas na cidade quando se fala em criminalidade. Segundo o promotor titular do município da Costa Verde do Rio, Vinícius Ribeiro, boa parte das prisões efetuadas em Paraty são ligadas a este tipo de delito. Neste ano, por exemplo, chegaram à Justiça 15 processos de tráfico, além de 17 de homicídio e seis de porte ilegal de arma de fogo - crimes que derivam da venda de drogas, de acordo com o promotor.
"Somente o poder Judiciário tem a estatística correta do número de prisões. O que pode ser dito é que mais de 80% das prisões em flagrante ocorridas na cidade são por tráfico de entorpecentes e armas de pequeno porte (revólveres e pistolas)", afirmou.
O promotor afirma que "o tráfico de Paraty tem particularidades próprias. Aqui não há grandes traficantes, o que se verifica pela quantidade e qualidade das drogas apreendidas. Quase sempre os criminosos são apreendidos com pequenas porções de entorpecentes. As grandes apreensões se dão nos postos da Polícia Rodoviária Federal, tendo em vista que Paraty é rota do tráfico que se origina na região Sul do país e se destina ao Sudeste, sobretudo ao RJ. Tratam-se de transportadores de entorpecentes que são detidos durante o trajeto", esclareceu.
O comandante do 33º Batalhão Polícia Militar (BPM), Luiz Claudio dos Santos Regis, endossa essa análise e acrescenta que o grande fluxo de turistas, apesar de fortalecer o comércio formal, "acaba facilitando [o tráfico], por ser um mercado consumidor em potencial, além dos próprios moradores locais". Segundo ele, na maioria das vezes, os presos por tráfico são homens, jovens, com baixa escolaridade e antecedentes criminais.
A cidade, que costuma receber milhares de visitantes durante o ano para os mais variados eventos culturais, como a Flip, já teve o setor de turismo afetado pelas disputas entre facções rivais ligadas ao tráfico. No carnaval do ano passado, uma pessoa morreu e nove ficaram feridas em um tiroteio, durante um desfile de bloco na Praça da Matriz, no Centro Histórico. Um dos feridos era um turista de São Paulo.
Tiroteio no carnaval
A troca de tiros começou quando dois integrantes de uma facção tentaram matar um membro de outra, que acabou baleado. Ele estava acompanhado de amigos, que revidaram. Na época, o delegado da 167ª DP afirmou que "os dois atiradores iniciais têm extensa ficha criminal, como homicídio e tráfico de drogas".

Riscos de repetição
O promotor Vinicius Ribeiro crê que foi um caso isolado, mas que sempre há risco de que ocorram outros episódios como este, "pois não se pode prever o vai acontecer com antecedência". Mas ele afirma que as autoridades públicas têm se reunido para discutir a segurança na cidade, sobretudo em eventos de grande porte, como a Flip. Uma das medidas resultantes foi a implantação de câmeras de segurança na cidade.

"Deve ser destacado, outrossim, que o episódio do Carnaval foi um fato isolado, não havendo qualquer outra questão similar acontecida nos outros festejos posteriores ao lamentável fato. Além do mais, atendendo a sugestão do Ministério Público, a prefeitura instalou o Sistema Integrado de Monitoramento por câmeras, o que produz grandes resultados no enfrentamento preventivo da criminalidade" afirmou.
Caco Barcellos e jornalista inglês debatem o tema
A mesa "Os olhos da rua", que vai discutir na Festa Literária a questão do tráfico, reunirá dois experientes jornalistas acostumados a trabalhar o tema. Caco Barcellos, atualmente à frente do Profissão Repórter, da Rede Globo, escreveu a biografia "Abusado - O dono do Morro Dona Marta", sobre o traficante Marcinho VP.

Ao lado dele vai estar Misha Glenny, jornalista inglês que lançou recentemente o livro "O dono do Morro - um homem e a batalha pelo Rio", pela Companhia das Letras, sobre a vida de Nem da Rocinha, traficante que já comandou a venda de drogas na favela carioca e está preso desde 2011.
A mesa será realizada na quinta-feira (30), às 15h, na tenda principal.

Nenhum comentário