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Conheça as BATALHAS de Mc’s: ante de sair falando por aí que e SHOW de TALENTO ou HOBBY!

#vaiLENDO

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Laboratório do novo RAP NACIONAL
O que são as Batalhas de Mc’s?  Pra começar, na cena Hip-Hop elas já são bem conhecidas e na internet quem gosta já conhece também, mas afinal o que são? Se trata partindo do básico, a Batalha(s) é o nome dado ao embate entre dois mc’s ( do inglêsmaster of ceremonies, mestre de cerimônia) que em dois, ou até três rounds fazem um duelo trocado de versos, rimas e poesias urbanas, pra ver quem leva/vence, pela escolha do público, o melhor na performasse. Através do “mais barulho” que a galera, o público fazer para cada integrante na apresentação. O formato é um subgênero musical do RAP, o Freestyle, caracterizado principalmente por letras improvisadas,  o rapper expressa o que pensa e sente, pode ser sobre o próprio oponente, o contexto, um tema para desenvolver, como na batalhas temáticas, ou até  mesmo tudo isso misturado junto, acompanhado de preferência por um flow-ritmando a batalha.
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Sou um dos que acompanha mesmo de longe, morando aqui em Porto Alegre através da internet, por algumas páginas das redes sociais e principalmente pelo Youtube esse “novo movimento” que ocorre em São Paulo. Geralmente perto das Estações de Metro e em alguns pontos alternativos de cultura da cidade, como  as Batalhas na estação Santa Cruz, um ponto de referência dos encontros. Os embates dos Mc’s são organizados entre os próprios  participantes, através das redes sociais, com mediação de alguém ou um grupo de respeito. E tem que ter carisma pra segurar os ânimos da galera e fazer a coisa fluir conforme o “procedê”.
Vale lembrar que uma boa batalha de MC’s é à base de um bom rap, já que nas  batalhas vence o rapper com melhor estilo, letra e resposta do público, um laboratório musical. A batalha, ao estilo americano já nos foi apresentado no filme biográfico do rapper Eminem, que se apresentava em batalhas no filme 8 Mile – Rua das Ilusões (2002).
A cena das Batalhas de São Paulo e a Batalha do Conhecimento do Rio de Janeiro divulgada no Estadão esse mês, mostram o quanto o movimento hip-hop é forte no Brasil. Na matéria tratavam da final de competição que no Rio, ficou conhecida como Batalha do Conhecimento, com temas atuais, escolares, político com o toque de humor e tiração de onda com o adversário. Foi em batalhas que muitos do rappers da nova geração surgiram, por exemplo Kamau e um dos mais conhecidos da nova geração do Rap, o Emicida. Esse nome, Emicida, faz relação com homicida, e ele ganhou nas batalhas, um “assassino” de oponentes. Procure seu vídeos, ele não perdoa mesmo. Em um deles, Emicida foi até o Rio de Janeiro mostrar o valor do apelido, o cara enfrenta e vence muitos nomes de lá. Encarou variados adversários, funkeiro, mulher e nem mesmo o herói nacional André Ramiro, o capitão Mathias do filme Tropa de Elite 1, 2 foi poupado. Show!
Ramiro Emicida
Na seqüência, troquei uma ideia, tipo uma entrevista com o “batalhador” Rafael Camões, de presença dessa nova geração que participa e faz acontecer  e traz um novo gás ao RAP NACIONAL. No final segue uma apresentação da batalha no Circuito Racional com a participação do Camões, CONFIRA!
 Entrevista IDEIANDANTE com Camões:
Rafael
IDEIANDANTE: Camões, como começou seu interesse nas batalhas, como que você começou colar?
CamõesDe início, as rodas de freestyle entre amigos, que acontecem já há alguns anos e foram ficando mais freqüentes. Num segundo momento, mais pro final de 2012, comecei a escrever letras e senti a necessidade de conhecer o que tava acontecendo na cena underground mesmo, todo mundo que tá fora da mídia e muitas vezes da Internet. Comecei a colar nas batalhas sem a intenção de me inscreve. Isso foi aparecer com o tempo…
IDEIANDANTE: Como você percebe as batalhas pro RAP, pra cultura Hip- Hop?
CamõesPro RAP funciona tanto como uma vitrine quanto como uma escola pro MC. O freestyle é um dos instrumentos mais cabulosos pra cabeça de quem quer escrever e evoluir. Acaba também por despertar a curiosidade de pessoas que não escutam RAP, e se aproximam por meio das batalhas. Já pra cultura mesmo, as batalhas são só mais uma coisa. E, infelizmente, ainda muito desconexas dos outros elementos. Tem muita coisa acontecendo no movimento. Falta resgatar mais as raízes e unir todos os lados.
IDEIANDANTE: Quais são as suas referências, inspirações, quais as bases para desenvolver as letras, o raciocínio ali na hora nas batalhas?
CamõesPra escrever letras, tudo é referência. RAP é verdade. Tudo que eu já vi, vivi, ouvi e assimilei serve como referência e inspiração no momento que tô trabalhando alguma ideia. Nas batalhas a história é a mesma. Só que sem tempo pra pensar muito. O raciocínio é algo que se malha, você vai ficando cada vez melhor. Procuro instigar minha criatividade sempre que possível e abusar do poder de observação e reflexão sobre tudo que me rodeia.
IDEIANDANTE: Para o futuro, como você vê a cena das batalhas, dos novos mc’s, e do Rap Nacional?
Camões: A popularidade das batalhas aumentou monstruosamente nos últimos anos. Isso é bom e ruim. Hoje, tem mais de uma batalha por dia em São Paulo. Em todos os cantos. Ninguém tem mais que esperar chegar o sábado e atravessar a cidade pra ir no Santa Cruz se quiser rimar.Aumentou o número de MC’s, diminuiu a exigência.Nessefinal de 2014 já temos iniciativas em SP que proporcionam estrutura e premiações pros participantes. Incentivos, não só pro vencedor. Falta isso. Faltam incentivos, mas ao mesmo tempo esses eventos distanciam a batalha da essência do movimento: Rua, de graça, pra quem quiser assistir, participar, opinar… O aprendizado da rua é diferente. Que os MCs e as organizações entendam mais que a cena é uma formação pra cada um que tá ali, e assim, pra cultura num todo. Que se ajudem nessa evolução pra que se construa algo sólido.Esse é o papel da competição dentro de um movimento que busca igualdade. Ninguém precisa ser mais que ninguém.
 Batalha do Camões no Circuito Racional – Ao estilo da Batalha Racional, por tema.
 

O objetivo geral da matéria foi apresentar de forma introdutória parte dessa expressão da cultura Hip-Hop. O embate de MC’s, Freestyle, ou Batalha cresce e semeia não só o RAP, mas a música nacional, sendo também um meio de afirmação da juventude das periferias brasileiras. No youtube é fácil encontrar mais vídeos com outras batalhas e projetos semelhantes de muito talento e qualidade. Sem falar que a cidade de São Paulo rola os encontros em vários pontos e eventos pra se curtir e apreciar essa cena. Se você curtiu a matéria, quer acrescentar algo, fazer uma crítica construtiva, não perca tempo e se expresse nos comentários. Vamos fortalecer o debate de idéias, o RAP e cultura nacional. Compartilhe essa IDEIANDANTE.

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