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15 DE JANEIRO DE 1955, o dia que A "LUZ DE PAULO AFONSO" COMEÇAVA A MUDAR A HISTÓRIA DO NORDESTE.

Tudo, na verdade, começou bem antes. Em 3 de Outubro 1945, dia de Santa Terezinha de quem era devoto, o Ministro da Agricultura, Apolônio Jorge de Farias Sales, levou os Decretos Nºs 8.031 e 8.032 para a assinatura do Presidente Getúlio Dornelles Vargas. Eles criavam a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco - Chesf.

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O presidente Getúlio foi deposto menos de um mês depois e os projetos ficaram nas gavetas até que o presidente General Eurico Gaspar Dutra, ex-Ministro da Guerra, depois de visitar a Cachoeira de Paulo Afonso em Julho de 1947, resolveu enfim autorizar a organização da Hidrelétrica do São Francisco, nomeando a sua primeira diretoria, empossada em 15 de Março de 1948, tendo à frente, como presidente da Chesf, o Engenheiro Antônio José Alves de Souza que era o diretor geral do Departamento Nacional de Produção Mineral do Ministério da Agricultura.
O presidente Dutra voltou à região para inaugurar o Obelisco, marco inicial da Barragem Delmiro Gouveia, no território baiano que se esticava por 4,5 quilômetros até às terras alagoanas onde nasceu a Vila Zebu.
Nascia, pra valer, a Chesf, que seria a Redenção do Nordeste brasileiro que tem a sua história claramente escrita em dois capítulos Antes da Chesf e Depois da Chesf.
Por aqui, as crianças já estudavam nas Escolas Reunidas da Chesf – Adozindo Magalhães de Oliveira, Alves de Souza e Murilo Braga – A aula já era pra valer desde 1949.
Nos anos seguintes as escolas se espalharam pelo Acampamento da Chesf. Nascia o Ginásio Paulo Afonso, em 5 de Março de 1951. Depois, bem depois, apareceu um ônibus comprido que parecia um trem - era o papa-filas para levar trabalhadores para os canteiros de obras e estudantes para as escolas.

O pequeno povoado Forquilha virou Vila Poty e continuou crescendo. Em 1953, tornou-se Distrito de Paulo Afonso ligado ao município de Glória.
Em 1954 a engenharia nacional comemorou o projeto brasileiro que permitiu o fechamento do rio São Francisco. Ainda nesse ano, começou a funcionar, em testes, a primeira máquina da Usina Paulo Afonso.
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Em dezembro daquele ano a “luz de Paulo Afonso” chegou ao Recife e em 15 de Janeiro de 1955 o presidente da República, João Café Filho chegou a Paulo Afonso, com enorme comitiva, ministros, governadores para inaugurar, oficialmente a Usina de Paulo Afonso.
E a “luz de Paulo Afonso” chegou também a Salvador/BA e provocou uma revolução nos costumes do Nordeste e abriu, escancarou, os caminhos para o desenvolvimento de toda a região...
Em entrevista concedida ao Jornal do Commercio do Recife em Dezembro de 2014, o engenheiro Antônio Feijó, aposentado da hidrelétrica e autor do livro Chesf – memórias, registros e lembranças – diz que:
“Antes de Paulo Afonso, a lâmpada da rua era apenas uma brasinha em vários bairros da capital. Em Jaboatão, a energia só ia até o quartel do 14º Regimento de Infantaria, no Socorro”.
Na época, Feijó tinha 18 anos e lembra que “A primeira coisa que fiz foi comprar um liquidificador de presente para minha mãe”.

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O historiador Leonardo Dantas diz que “A discussão sobre a industrialização do Nordeste começou em 1958 em decorrência de Paulo Afonso”.
O título da matéria do Jornal do Comercio, publicada no caderno de Economia do dia 14/12/2014 e assinada por Ângela Fernanda Belfort é “A usina que fez uma revolução”.
Infelizmente, ao longo dos anos os políticos deste país têm jogado à memória e a história ao descaso e esquecimento ou têm tratado aqueles que ainda se preocupam com o resgate destas histórias e memórias com menosprezo e as suas lembranças apenas pelo viés do saudosismo.
Triste dos que pensam e agem assim, esquecidos que não se pode planejar o futuro sem se ter um olhar para o passado.
Estes que assim procedem, continuam, não se sabe com que interesses, desmerecendo, desprestigiando, humilhando aqueles que construíram as bases para que hoje tenham todos as perspectivas do desenvolvimento que nunca tiveram ANTES da chegada da Chesf á região de Paulo Afonso.
E isso só foi possível graças ao trabalho duro de milhares de “cassacos” que fizeram nascer, no ventre dos paredões de granito, a primeira usina e depois outras para que a energia, a luz de Paulo Afonso, mudasse a fisionomia do Nordeste, gerando vida, abrindo novos horizontes.
Acordem todos! Busquem ver melhor porque há muitos que estão míopes!
Tudo começou na margem direita do rio São Francisco, num lugarejo que se chamava Forquilha e hoje é o município de Paulo Afonso, um dos mais importantes da Bahia, com mais de 120 mil habitantes.
O Nordeste só é a pujança dos dias de hoje porque milhares de nordestinos, sertanejos, os nossos "cassacos", construíram as Usinas Hidrelétricas da Chesf e, há 64 anos a “luz de Paulo Afonso” fez mudar a imagem do Nordeste!

TEXTO
(Professor Antônio Galdino da Silva - Paulo Afonso, 14/01/2018)

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