RIBEIRINHOS DO SÃO FRANCISCO APREENSIVOS COM O ROMPIMENTO DAS BARRAGENS DE BRUMADINHO

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O rio São Francisco nasceu nas terras mineiras onde a exploração de minérios fez surgirem centenas de minas – fala-se em mais de 700 – que após a retirada do metal precioso encerram a sua importância e os seus exploradores, homens que atuam em empresas riquíssimas como a Vale do Rio Doce, considerada a terceira mais importante mineradora do mundo, deixam para a natureza os retraços de sua insanidade, resíduos que não lhe valem mais nada, os rejeitos, sobras sem valor.
Há três anos, uma dessas barragens de rejeitos, também em Minas, em Mariana, assombrou o mundo quando os mais de 50 milhões de toneladas de rejeitos invadiam vilas, mataram pessoas, chegaram aos rios que são a razão da vida na região e ao mar. Uma tragédia muito lamentada pelo mundo a fora. Lamentada. Só isso.
Ainda hoje, mais de três anos depois, famílias vivem de favor em casas de parentes ou recebendo um aluguel – até quando? – da poderosa empresa mineradora e suas subsidiárias. A área por onde os rejeitos se arrastaram como cobra pelo chão, viraram terra arrasada, agressiva e feia de uma região tão bela.
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Agora, embora o volume de rejeitos seja de cerca de um quarto da barragem de Mariana, as vítimas fatais esperadas podem chegar a mais de duas centenas. E a empresa riquíssima, a terceira maior do mundo em sua área, lamenta...De novo, lamenta...
Os milhões de moradores das margens do rio São Francisco vivem o temor dos efeitos que esses rejeitos podem trazer às suas águas, já poluídas e poucas, aos seus projetos de irrigação, às suas muitas usinas hidrelétricas, porque os rejeitos das três barragens que se romperam na região de Brumadinho seguem rápidos para alcançar o rio Paraopeba, um dos maiores afluentes do rio São Francisco...
Isso nos faz lembrar do poeta Carlos Drummond de Andrade, mineiro de Itabira, que já cantava em versos as suas terras.
Drummond nasceu em Itabira, e em Confissões de Itabirano, diz:

“Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.

De fato, como se sentia Drummond, parece que a ganância de riqueza dessas grandes empresas mineradores transformou estes exploradores dos minérios, os donos, os ricos, em homens com "oitenta por cento de ferro nas almas"...
O cenário das muitas serras, das muitas pedras das terras mineiras pro certo o inspiraram a nos deixar uma reflexão que se estende pelos cuidados e dificuldades do nosso caminhar:
“No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho...”

Mas, dentre tantos belos poemas de Carlos Drummond de Andrade, o mineiro de Itabira, um, escrito nos idos de 1984, parecia antever essas tragédias que se repetem nas terras belas de Minas Gerais nos últimos anos.
I
O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
II
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!
III
A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.
IV
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?
(Drummond, 1984)

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E porque há tantas pedras, trituradas, esmagadas, em forma de uma gosma tóxica que estavam sendo retidas pelos paredões das barragens que se romperam em Minas Gerais, onde também nasceu o Rio São Francisco os ribeirinhos deste rio andam apreensivos porque essas corrente de massa imprestável para que a Vale ganhe ainda mais dinheiro, as sobras dos metais valiosos já extraídos, os rejeitos, podem acabar de matar um rio já cambaleante, que quase seca nos últimos anos e começava a tomar fôlego, ganhar estrutura mais sólida com as muitas águas limpas que estava recebendo de seus afluentes como rio Paraopeba...
A estimativa da Agência Nacional das Águas (ANA) era de que a lama levaria dois dias para atingir a represa da usina Retiro Baixo Energética, tem potência instalada de 82 MW e possui um reservatório de 22,5 quilômetros quadrados. Está localizada a aproximadamente 5 quilômetros da hidrelétrica de Três Marias, no curso do rio São Francisco. A Eletrobras Furnas detém 49% desse empreendimento. Outros 49,9% pertencem à Cemig e 1,1% à Orteng. A ANA também informa que essa barragem amorteceria a onda de rejeitos.

TEXTO
 (Antônio Galdino - Em 26/01/2019 – 17 horas (de Brasilia)...

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