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OS 16 MAIORES POETAS BRASILEIROS MODERNOS E CONTEMPORÂNEOS


Confira abaixo uma lista dos maiores poetas brasileiros modernos e contemporâneos. Leia também algumas de suas poesias.A literatura brasileira reúne diversos poetas e poetisas que tiveram grande destaque não somente no Brasil, mas no mundo.

1. Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Carlos Drummond de Andrade
Poeta modernista mineiro, Drummond é considerado um dos maiores poetas brasileiros do século XX. Grande destaque da segunda geração modernista, além de poesias, escreveu crônicas e contos.

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho

Tinha uma pedra

No meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento

Na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

Tinha uma pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra.

2. Clarice Lispector (1920-1977)

Clarice Lispector
Poetisa modernista, Clarice nasceu na Ucrânia, porém foi naturalizada brasileira. Grande destaque da terceira geração modernista, ela é considerada uma das maiores escritoras do Brasil. Além de poesias, escreveu romances, contos e obras de literatura infantil.

O sonho

Sonhe com aquilo que você quer ser,

porque você possui apenas uma vida

e nela só se tem uma chance

de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.

Dificuldades para fazê-la forte.

Tristeza para fazê-la humana.

E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.

Elas sabem fazer o melhor das oportunidades

que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.

Para aqueles que se machucam

Para aqueles que buscam e tentam sempre.

E para aqueles que reconhecem

a importância das pessoas que passaram por suas vidas.

3. Adélia Prado (1935)

Adélia Prado
Poetisa mineira, Adélia é uma escritora da literatura brasileira contemporânea. Além de poesias, escreveu romances e contos onde explora, em grande parte, o tema da mulher.

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

— dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.

4. Cora Coralina (1889-1985)

Cora Coralina
Poetisa brasileira nascida em Goiás, Cora é conhecida como a "escritora das coisas simples". Além de poemas, ela escreveu contos e obras de literatura infantil. Sua poesia tem como grande característica os temas cotidianos.

Mulher da vida

Mulher da Vida,

Minha irmã.

De todos os tempos.

De todos os povos.

De todas as latitudes.

Ela vem do fundo imemorial das idades

e carrega a carga pesada

dos mais torpes sinônimos,

apelidos e ápodos:

Mulher da zona,

Mulher da rua,

Mulher perdida,

Mulher à toa.

Mulher da vida,

Minha irmã.

5. Hilda Hilst (1930-2004)

Hilda Hilst
Poetisa brasileira nascida em Jaú, no interior de São Paulo. Hilda é considerada uma das maiores escritoras do século XX do Brasil. Além de poesias, ela escreveu crônicas e obras de dramaturgia.

Tateio

Tateio. A fronte. O braço. O ombro.

O fundo sortilégio da omoplata.

Matéria-menina a tua fronte e eu

Madurez, ausência nos teus claros

Guardados.

Ai, ai de mim. Enquanto caminhas

Em lúcida altivez, eu já sou o passado.

Esta fronte que é minha, prodigiosa

De núpcias e caminho

É tão diversa da tua fronte descuidada.

Tateio. E a um só tempo vivo

E vou morrendo. Entre terra e água

Meu existir anfíbio. Passeia

Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:

Noturno girassol. Rama secreta.

6. Cecília Meireles (1901-1964)

Cecília Meireles
Poetisa brasileira carioca, Cecília é uma das primeiras mulheres a ter grande destaque na literatura brasileira. Foi escritora da segunda fase do modernismo no Brasil. Suas poesias apresentam caráter intimista com forte influência da psicanálise e da temática social.

Motivo

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

— não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

— mais nada.

7. Manuel Bandeira (1886-1968)

Manuel Bandeira
Poeta brasileiro pernambucano, Manuel teve grande destaque na primeira fase do modernismo no Brasil. Além de poesia, escreveu também obras em prosa. Com grande lirismo, sua obra versa sobre temas do cotidiano e da melancolia.

Desencanto

Eu faço versos como quem chora

De desalento... de desencanto...

Fecha o meu livro, se por agora

Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...

Tristeza esparsa... remorso vão...

Dói-me nas veias. Amargo e quente,

Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca

Assim dos lábios a vida corre,

Deixando um acre sabor na boca.

– Eu faço versos como quem morre.

8. Manoel de Barros (1916-2014)

Manoel de Barros
Considerado um dos maiores poetas brasileiros, Manuel de Barros nasceu no Mato Grosso. Foi grande destaque na terceira fase do modernismo no Brasil, chamada "Geração de 45". Em sua obra focou nos temas do cotidiano e da natureza.

Os deslimites da palavra

Ando muito completo de vazios.

Meu órgão de morrer me predomina.

Estou sem eternidades.

Não posso mais saber quando amanheço ontem.

Está rengo de mim o amanhecer.

Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.

Atrás do ocaso fervem os insetos.

Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu

destino.

Essas coisas me mudam para cisco.

A minha independência tem algemas

9. Ferreira Gullar (1930-2016)

Ferreira Gullar
Poeta brasileiro contemporâneo e precursor do movimento neoconcreto, Gullar nasceu em São Luís do Maranhão. É considerado um dos maiores escritores brasileiros do século XX, dono de uma obra social, radical e engajada.

Não Há Vagas

O preço do feijão

não cabe no poema. O preço

do arroz

não cabe no poema.

Não cabem no poema o gás

a luz o telefone

a sonegação

do leite

da carne

do açúcar

do pão

O funcionário público

não cabe no poema

com seu salário de fome

sua vida fechada

em arquivos.

Como não cabe no poema

o operário

que esmerila seu dia de aço

e carvão

nas oficinas escuras

- porque o poema, senhores,

está fechado:

“não há vagas”

Só cabe no poema

o homem sem estômago

a mulher de nuvens

a fruta sem preço

O poema, senhores,

não fede

nem cheira

10. Vinicius de Moraes (1913-1980)

Vinicius de Moraes
Poeta e compositor brasileiro carioca, Vinicius foi um dos precursores da bossa nova no Brasil. Teve grande destaque na poesia de 30 na segunda fase do modernismo no Brasil. Seus poemas têm como temática o amor e o erotismo.

Soneto de Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento antes

E com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure

11. Mario Quintana (1906-1994)

Mario Quintana
Poeta brasileiro nascido no Rio Grande Sul, Mario é conhecido por ser o “poeta das coisas simples”. Considerado um dos maiores poetas brasileiros do século XX, teve grande destaque na segunda fase do modernismo no Brasil. Sua obra poética explora temas como o amor, o tempo e a natureza.

Os Poemas

Os poemas são pássaros que chegam

não se sabe de onde e pousam

no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam voo

como de um alçapão.

Eles não têm pouso

nem porto

alimentam-se um instante em cada par de mãos

e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias,

no maravilhado espanto de saberes

que o alimento deles já estava em ti…

12. Raul Bopp (1898-1984)

Raul Bopp
Poeta modernista brasileiro, Raul nasceu no Rio Grande do Sul. Participou da Semana de Arte Moderna que inaugurou o movimento modernista no Brasil. Além de poesia, Bopp também escreveu crônicas.

Cobra Norato (trecho da obra)

Um dia

ainda eu hei de morar nas terras do Sem-Fim.


Vou andando, caminhando, caminhando;

me misturo rio ventre do mato, mordendo raízes.

Depois

faço puçanga de flor de tajá de lagoa

e mando chamar a Cobra Norato.


— Quero contar-te uma história:

Vamos passear naquelas ilhas decotadas?

Faz de conta que há luar.


A noite chega mansinho.

Estrelas conversam em voz baixa.


O mato já se vestiu.

Brinco então de amarrar uma fita no pescoço

e estrangulo a cobra.


Agora, sim,

me enfio nessa pele de seda elástica

e saio a correr mundo:

Vou visitar a rainha Luzia.

Quero me casar com sua filha.


— Então você tem que apagar os olhos primeiro.

O sono desceu devagar pelas pálpebras pesadas.

Um chão de lama rouba a força dos meus passos.

13. Paulo Leminski (1944-1989)

Paulo Leminski
Poeta brasileiro contemporâneo, Leminski nasceu em Curitiba, no Paraná. Foi um dos grandes representantes da poesia marginal com forte característica vanguardista. Além de poesias, escreveu contos, ensaios e obras infanto-juvenis.

Bem no fundo

No fundo, no fundo,

bem lá no fundo,

a gente gostaria

de ver nossos problemas

resolvidos por decreto

a partir desta data,

aquela mágoa sem remédio

é considerada nula

e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,

maldito seja quem olhar pra trás,

lá pra trás não há nada,

e nada mais

mas problemas não se resolvem,

problemas têm família grande,

e aos domingos

saem todos a passear

o problema, sua senhora

e outros pequenos probleminhas.

14. João Cabral de Melo Neto (1920-1999)

João Cabral de Melo Neto
Poeta moderno nascido em Pernambuco, João Cabral ficou conhecido como o “poeta engenheiro”. Foi grande destaque da terceira geração modernista no Brasil e além de poesia, ele escreveu obras em prosa.

O Relógio

Ao redor da vida do homem

há certas caixas de vidro,

dentro das quais, como em jaula,

se ouve palpitar um bicho.

Se são jaulas não é certo;

mais perto estão das gaiolas

ao menos, pelo tamanho

e quadradiço de forma.

Umas vezes, tais gaiolas

vão penduradas nos muros;

outras vezes, mais privadas,

vão num bolso, num dos pulsos.

Mas onde esteja: a gaiola

será de pássaro ou pássara:

é alada a palpitação,

a saltação que ela guarda;

e de pássaro cantor,

não pássaro de plumagem:

pois delas se emite um canto

de uma tal continuidade.

15. Jorge de Lima (1893-1953)

Jorge de Lima
Poeta brasileiro modernismo nascido em Alagoas, Jorge de Lima ficou conhecido como “príncipe dos poetas alagoanos”. Grande destaque da segunda geração modernista no Brasil, além de poemas, ele escreveu romances, peças de teatro e ensaios.

Mulher proletária

Mulher proletária — única fábrica

que o operário tem, (fabrica filhos)

tu

na tua superprodução de máquina humana

forneces anjos para o Senhor Jesus,

forneces braços para o senhor burguês.

Mulher proletária,

o operário, teu proprietário

há de ver, há de ver:

a tua produção,

a tua superprodução,

ao contrário das máquinas burguesas

salvar o teu proprietário.

16. Ariano Suassuna (1927-2014)

Ariano Suassuna
Poeta brasileiro paraibano, Suassuna foi idealizador do movimento armorial com foco na valorização das artes populares. Teve destaque na literatura de cordel e além de poesia, escreveu romances, ensaios e obras de dramaturgia.

Aqui morava um rei

Aqui morava um rei quando eu menino

Vestia ouro e castanho no gibão,

Pedra da Sorte sobre meu Destino,

Pulsava junto ao meu, seu coração.

Para mim, o seu cantar era Divino,

Quando ao som da viola e do bordão,

Cantava com voz rouca, o Desatino,

O Sangue, o riso e as mortes do Sertão.

Mas mataram meu pai. Desde esse dia

Eu me vi, como cego sem meu guia

Que se foi para o Sol, transfigurado.

Sua efígie me queima. Eu sou a presa.

Ele, a brasa que impele ao Fogo acesa

Espada de Ouro em pasto ensanguentado.

Não pare por aqui! Temos certeza que vai gostar do que preparamos para você:
TEXTO
Daniela Diana

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